Terça-feira, 4 de Março de 2008

Reflexão sobre a classe politica portuguesa

Li no Público que Paulo Portas contratou Garcia Pereira como seu advogado no processo que vai mover contra o Ministro da Agricultura Jaime. Sobre o mérito da acção apenas digo se Paulo Portas pode considerar o Ministério como caloteiro, não percebo porque o Ministro não pode achar que Paulo Portas é um caloteiro político. Adiante.

O me faz reflectir é o facto de um líder de direita contratar um líder de extrema esquerda para o defender. Mais ainda, para o defender sobre uma situação que nasce numa disputa política.   Não vamos escamotear a questão: por muito que Paulo Portas queira desviar as atenções, este caso nasce numa troca de argumentos políticos.

Não sou daqueles que considera que pessoas de quadrantes políticos não possam ser amigas ou que, em determinadas situações, não possam chegar a um entendimento.

Tive oportunidade de contactar com o Dr. Garcia Pereira e tenho-o como uma pessoas séria e que faz por ser justa. Considero que em situações de injustiça, ele não tem problemas em defender alguém que é do quadrante político oposto. Percebo que não resista a uma oportunidade para combater politicamente um ministro com o qual não concorde.

Mas nesta situação, volto a frisar, nasce a partir de uma disputa política, de um debate. Não está em causa uma situação jurídica , nem uma burla, nem uma perseguição política. Aliás, o primeiro a atacar foi o queixoso que reclama porque não gostou da resposta.

Circula pela internet um e-mail defendendo as posições de Hugo Chavez , afirmando que os regimes de direita na América do Sul encerraram mais estações de televisão do que ele, que são apoiados pelo narcotráfico, que fazem mais perseguições políticas do que ele, etc.. Ora é exactamente aqui que está o cerne da questão: eu não me vou opor a um regime político fazendo exactamente o que ele faz mas em sentido contrário. Encerrar televisões, perseguir pessoas e instituições e fechar os olhos a oligarquias milionários com fortunas de origem mais que duvidosa é o que eu condeno na direita sul-americana e é o que eu quero que acabe. Não é substituir pela mesma prática, mas á esquerda. Isso não é construir uma alternativa política; é mais do mesmo e em certa medida é deixar tudo como está

E é isto que me surpreende em Garcia Pereira. Ao defender Paulo Portas neste processo é legitimar uma prática política de "factóides", criados para desviar as atenções para práticas políticas indefensáveis e inexplicáveis ( já esqueceram que o caso Moderna, os assessores que recebiam mais do que o Presidente da Republica e, facto curioso, ambos testemunhas no processo Moderna, os despachos emitidos na madrugada de tomada de posse de um novo governo, num Ministério dirigido por um militante do partido do qual ele era Presidente e Ministro desse mesmo governo?!). É a esta postura política que Garcia Pereira quer dar caução?

São estas as atitudes que conduziram ao descrédito da classe política e o que este caso vei fazer é ampliar ainda mais este descrédito, lançando a dúvida a um dos poucos políticos que ainda ia recolhendo algum capital de credibilidade.

Sinal dos tempos? Talvez, mas acima de tudo é um sinal demonstrativo de que a classe política portuguesa já não consegue motivar as pessoas, agregá-las e construir um país. E se assim é, então está na hora de passarem o testemunho.

publicado por vitruviano às 13:08
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