Numa época em que somos governados por uma classe política inoperante, deslumbrada e acomodada a um poder inócuo e sem soluções de futuro, suportada ideológicamente por uma teoria económica que escraviza as pessoas em vez de as servir, considero que é tempo de assumirmos o nosso destino e construirmos um novo país.
Protestar é preciso, mas não chega. Temos que encontrar novos modelos e novas soluções e para isso não precisámos de políticos, especialistas, nem santos milagreiros. Precisámos apenas de nós próprios.
Em quase vinte anos de associativismo, e apesar de todos os problemas e insuficiências deste movimento associativo, vi projectos a construírem-se, equipamentos que se criaram, cultura e educação a serem ministrados. E tudo porque as pessoas se uniram e acreditaram. Tudo porque descobriram que o principal recurso eram elas próprias e com isso levaram para frente os seus projectos e ideias e arrastaram políticos que também acreditaram ou foram incapazes de travar a "onda".
O Associativismo pode não ser a solução, mas é uma solução. Uma solução porque revela o que cada um tem de melhor e o coloca ao serviço da comunidade. Porque quando nos associamos em algo que acreditámos damos o melhor de nós próprios e, como diz o poeta, o homem sonha e a obra nasce.
É chegada a hora de dizermos basta e transformármos o país. E o país para ser transformado não precisa de revoluções ou guerras civis. Precisámos de acreditar em nós e descobrir que não somos os incultos, improdutivos, incompetentes, oportunistas e consumistas, como nos ultimos anos nos têm feito crer, e que também não temos nenhum factor genético que nos obrigue ao subdesenvolvimento ou á miséria.
Mesmo que não acreditem no Associativismo, acreditem que são capazes de construir algo e procurem outras vias, procurem outras formas de concretizar os vossos projectos.
Mourinho é português e que isso não o impediu de chegar onde chegou. Porque acreditou.
Nós também podemos lá chegar. Nós também somos capazes.
"Yes, we can".
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